A primeira vista pode parecer um conto de fadas: a garota pobre africana que se torna Top model internacional e embaixadora da ONU, mas a trajetória de Waris Dirie(1965) foi marcada pelo sofrimento e incrível superação. Antes de completar 5 anos Warnes foi submetida a um grotesco ritual que até hoje ainda é realizado em vários países: a mutilação genital, que consiste na remoção ou costura dos “lábios” vaginais ou do clitóris, pois acreditam que assim a mulher se manteria pura até o casamento, no qual na noite de núpcias o marido “abriria” a costura com uma faca! Tal procedimento é realizado por uma “Cigana” que, neste caso, usou uma gilete velha para cortar e espinhos de acácia como agulhas de costura. Ela relata ter desmaiado de dor! Após o cruel procedimento ela foi deixada a sombra de uma árvore sozinha para se recuperar por dias, só recebendo a visita da mãe e irmã para lhe trazerem água e comida, e nesse meio tempo teve febre alta, quase a levando ao óbito, como acontece com muitas meninas. Relata também que viu pedaços de sua carne mutilada e deixados ao sol, sendo comidos pelos urubus. Aos 13 anos soube que teria que seria a quarta esposa de um homem de mais de 60 anos, num casamento arranjado por seu pai, então farta de tudo isso fugiu, atravessou o deserto sozinha enfrentando o sol escaldante, a fome e a sede e como se em mais um milagre sobreviveu conseguindo chegar a capital de seu país, Mogadíscio (Somália), mas ficou com cicatrizes nos pés que até hoje não a deixam esquecer o passado sofrido. Na capital encontrou a sua avó que conseguiu lhe mandar para fora do país conseguindo um emprego como empregada na embaixada somali em Londres, onde ficava reclusa e não conseguiu nem aprender o idioma local. Após o término da guerra civil na Somália todos deveriam retornar a seu país, temendo por isso ela foge mais uma vez, vivendo nas ruas de um país totalmente estranho e sem falar inglês, ela é ajudada por uma vendedora, que lhe dá abrigo e a ajuda a arrumar emprego em uma rede de fast food, onde é descoberta por Terrence Donovan, famosos fotógrafo, que após insitir muito a convence a fazer um teste, começava ai sua brilhante carreira de modelo! Além da bem sucedida carreira, em 1997, foi nomeada pelas nações unidas embaixadora para os direitos das mulheres, na luta pela eliminação da prática da mutilação genital feminina, é uma ferrenha ativista contra essa prática desumana, já percorreu diversos países da África, onde conseguiu que em 15 deles a mutilação genital fosse banida, também tem uma fundação com seu nome.
Waris hoje é casada e tem 2 filhos e enfrenta um drama familiar: tenta convencer sua irmã, que vive na Somália e tem 6 filhas, a não realizar a “circuncisão feminina” em sua sobrinhas.
Em 2009 foi lançado o filme biográfico contando a trajetória de Warnes Dirie, “Flor do deserto” (Desert flower), estrelado pela top model etíope Liya Kibede, também engajada na luta por melhorias nos países subdesenvolvidos.
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| Liya Cabede e Waris Dirie. |


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