Dica de Filme: Hotel Ruanda - Quando o Mundo Fechou os Olhos, Ele Abriu Seus braços!

Quem nunca ouviu falar da "Lista de Schindler"? Pois bem, este filme conta uma história que poderia ser comparada a versão africana desse episódio lamentável da humanidade (se é que podemos chamar de humanos os protagonistas de um genocídio). Mas assim como a crueldade nazista levou o bem a tomar uma atitude, na forma de um homem chamado Oskar Schindler, em 1994 durante o genocídio de Ruanda um homem colocou sua vida e de sua família em risco e o resultado desse ato de coragem e nobreza foi a preservação de mais de 1200 vidas! Seu nome? Paul Rusesabagina, brilhantemente interpretado por Don Cheadle, que inclusive foi indicado ao Oscar por esse trabalho.
Em 1994 Paul era gerente do hotel Mille Collines na capital Kigali, que pertencia a uma empresa belga, quando o presidente de Ruanda, depois de assinar um tratado de paz com os rebeldes, tem seu avião abatido num atentado, o que desencadeia uma guerra civil no país. O país era dividido por 2 etnias: Tutsis e Hutus, herança da colonização belga, que dividiu a nação jogando uns contra os outros, mesmo não havendo diferença entre eles, uma tática de colonização, dividir e conquistar. Quando deixaram o país após a colonização, os belgas deixaram a minoria Tutsi no comando, o que gerou décadas e mais décadas de ódio nos Hutus que planejavam dar um golpe de estado, isso aliado a escassez e miséria foi o estopim para o caos. Os rebeldes Hutus começaram uma "limpeza étnica", massacrando cruelmente os Tutsis, normalmente a golpes de facão. Paul começou sua cruzada do bem, num primeiro momento, só para preservar sua família, já que sua esposa Tatiana (interpretada pela ótima Sophie Okenedo), pois a mesma era Totsie, só que aos poucos viu que não conseguiria ficar indiferente as execuções covardes a sua volta.


 Ele começa a esconder pessoas no hotel Mille Collines, usa sua influência, dinheiro e bebidas caras do hotel para comprar favores do Interahamwe (milícia Hutu), para manter o hotel a salvo. Também conta com a ajuda das tropas canadenses a serviço das forças de paz da ONU, representadas pelo personagem fictício, coronel Oliver (interpretado pelo veterano Nick Nolte), que fazem o possível para proteger o hotel com suas tropas muito limitadas. A um momento de expectativa e esperança quando tropas belgas chegam no hotel, causando euforia a todos, pois finalmente seriam resgatados daquele inferno, mas em seguida vem a decepção e desespero: as tropas tem ordens de resgatar somente os turistas estrangeiros...e dai surge umas das cenas mais emocionantes do filme, os turistas (brancos) entrando nos ônibus da ONU, a maioria chorando, implorando para que levem os "nativos" também, mãos estendidas dos dois lados num gesto de desespero...é difícil descrever,principalmente sabendo que isso aconteceu realmente. Apesar da situação ficar cada vez mais difícil e de quase perder sua família numa emboscada, Paul continua sua luta para tentar manter aquelas pessoas vivas e levar todos até um campo de refugiados custe o que custar. Destaco também a participação de Joaquim Fenix, que faz um repórter americano que tenta levar o fato ao conhecimento do mundo. O incrível é que esse fato que é verídico e onde foram assassinadas mais de 800.000 pessoas, foi tratado com uma indiferença pelo resto do mundo, pois se houvesse uma maior interferência das Nações Unidas, poderia ser evitado, mas sabe como é, um país pobre que não tem riquezas naturais a serem exploradas, como petróleo e diamantes...infelizmente podemos concluir que o pensamento das "grandes nações" é o seguinte: "O que vou ganhar ajudando esse país de 3º mundo? Deixe que se matem!"...
Don Cheadle com Paul & Tatiana Rusesabagina.
Mas uma notícia boa: Paul Rusesabagina vive hoje na Bélgica junto de sua esposa Tatiana, seus filho e sobrinhos (que tiveram os pais assassinados durante o massacre) e é um empresário bem sucedido, recebeu vários prêmios internacionais, inclusive a "Presidential Medal of Freedom", do presidente dos EUA em 2005, George W. Bush, país que tem tradição em "invadir" outras nações, quando lhe convém, mas na época do genocídio de Ruanda nada fez...





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