Negras Raízes: A Série Que Expôs a História de Um Povo!

No ano de 1976 o jornalista e escritor e aposentado da guarda costeira, Alexander Murray Palmer Haley, já havia feito algumas grandes entrevistas para revista Playboy nos anos 60 e escrito seu 1º livro, a "Autobiografia de Malcolm X" (1965), com base em mais de 50 entrevista concedidas a ele pelo própio Malcolm, mas mal sabia ele que estava prestes a mudar a história ao lançar "Roots" , que foi adaptado para 37 idiomas (no Brasil "Negras Raízes"), um livro que no ano seguinte (1977) se tornaria "Roots: The Saga Of An Americam Family" ("Raízes:A Saga De Uma Família Americana"). Mas o interessante é que a rede ABC estava receosa quanto a lançar uma série estrelado por atores negros, onde os brancos seriam os "vilões", então escolheram atores brancos consagrados e queridos pelo público na época, como Lloyd Bridges e George Hamilton, além de criar alguns personagens brancos com um mínimo de humanismo e bondade para amenizar a situação. Na época as séries ou mini séries tinham apenas 1 episódio exibido por semana, mas a ABC resolveu exibir 8 noites consecutivas com episódios de maior duração, pois se tivesse que se queimar faria isso de uma vez só...só que a série que teve a 3ª maior audiência da tv americana, 36 indicações ao Emmy, ganhou um Globo de Ouro! Seus personagens são memoráveis, quem nunca ouviu falar o nome Kunta Kinte? O autor Alex Haley, que por cerca de 20 anos pesquisou sua árvore geneológica, desde a África até a América dos anos 70, Kunta pertencia ao povo Mandinga, vivia na Gâmbia e foi sequestrado e trazido por mercadores de escravos. Durante sua infância e adolescência acompanhamos as tradições de sua tribo, desde seu nascimento onde seu pai o ergue nos braços e o apresenta a lua, dizendo a ele a seguinte frase:"Esta é a única coisa maior que você!", ato que é repetido por todos seus descendentes!

Kunta Kinte nunca aceitou 0 nome dado pelo seu "dono" (Tobby) assim como  a escravidão, por inúmeras vezes tentou fugir do cativeiro, era chamado de louco por outros escravos, mas o que eles não entendiam é que ele nasceu livre, ao contrário dos demais, que por terem nascido na senzala não sabiam o que era ser uma pessoa livre. Depois de tanto tentar escapar, teve metade de seu pé decepado por um machado para que desistisse da idéia. Kunta casou-se e teve uma filha , Kizzy (por influência da série, várias crianças foram batizadas com esse nome nos anos 70), que por sua vez deu a luz a "Galo George" (fruto dos abusos do seu "dono") e assim por diante, até chegar no
autor Alex Haley.

A série fez com que a história de glórias americana fosse revista e discutida ao mostrar de forma crua esse grande crime cometido contra um povo, que foi a escravidão, além de abrir grande espaço para o negro na tv e cinema, e o mais importante: mostrar aos afrodescendentes o sofrimento e bravura de seus antepassados e ensiná-los a valorizar e honrar sua história e legado. A série revelou grandes atores, como Levar Burton (Kunta Kinte jovem), John Amos (Kunta Velho), Cecyle Tyson (Binta, mãe de Kunta), Louis Gosset Jr. (Fiddler), a poetisa Maya Angelou (Nyo Boto) e Richard Roundtree (Sam Bennett), que ficou famoso no cinema na pele do personagem "Shaft". Três anos depois da exibição da série foi lançada "Roots: The Next generation" (no Brasil "Raízes 2"), na qual o autor chega a ser representado pelo grande James Earl Jones, além do elenco contar nada mais, nada menos com a presença de Marlon Brando! Durante minha pesquisa descobri que em 1988 foi ao ar nos EUA um especial de natal, "Roots, The Gift", narrando uma situação entre Kunta e Fiddler.
O Autor
Alex Haley faleceu em 1992, de um ataque cardíaco, mas sua obra é inesquecível e eterna,acho que TODO afrodescendente devia assistir essa série uma vez na vida, pois é uma obra universal, todos estamos hoje aqui graças a um "Kunta", personagem que virou símbolo da resistência africana, que sofreu e resistiu bravamente a os horrores da escravidão, mas não deixou a história de um povo sucumbir. Assisti a série pela 1ª vez nos anos 80 e tive a oportunidade de rever recentemente a série e passar para minha filha assistir também, afinal essa história, assim como fizeram os antepassados de Haley, deve ser passada para as futuras gerações, assim como marcou a minha. Só de ouvir a música tema de abertura da série já me emociono...Ah! Trilha sonora dirigida pelo "Maestro" Quincy Jones, também conhecido como "Toque de Midas", só pra fechar com chave de ouro!!!

Comentários

  1. Muito bom meu amigo, serie q vi na epoca e hj tenho ela toda baixada, e já rodei pros meus filhos verem tbm...parabens, otimo post..abç

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